Produção de um filme no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), 2010
Performance, São Paulo (BR)
Créditos fotográficos: Nina Morgenstern
Amigos e visitantes contam, sucintamente, a história das duas origens, desde o mais antigo ao mais recente. Para cada relato, é feito um plano de busto, câmera fixa; e gravada voz. Enquanto isto, a situação é documentada fotograficamente.
Produção: Lúcia Prancha e Sara Nunes Fernandes;
Câmera: Sara Nunes Fernandes;
Som: Lúcia Prancha;
Documentação fotográfica: Nina Morgenstern;
Participantes: Luanah Souza, Marta Guedes Lima, Óscar Silva, Pedro, Júlia Ayerbe, Lívia Benedetti, Francisco da Vinha, Vanderlei, Adilson, Nina Morgenstern.
‘Production of a film at the Brazilian Museum of Sculpture (MuBE)’, 2010
Performance, São Paulo (BR)
Friends and visitors relate the story of their origins, from the most ancient to the most recent. Each person was filmed with a static portrait shot, while each statement was voice recorded separately. At the same time, the situation was documented via photographs.
Produced by Lúcia Prancha and Sara Nunes Fernandes;
Camera: Sara Nunes Fernandes;
Sound: Lúcia Prancha;
Photographer: Nina Morgenstern;
Featuring: Luanah Souza, Marta Guedes Lima, Óscar Silva, Pedro, Júlia Ayerbe, Lívia Benedetti, Francisco da Vinha, Vanderlei, Adilson, Nina Morgenstern


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Réplica de cavalete desenhado por Lina Bo Bardi, 2010
Vidro e cimento
A200cm x L90cm x P40cm
Replica of display stand by Lina Bo Bardi, 2010
Glass, Concrete
H200cm x W90cm x D40cm

Uma exposição de Lúcia Prancha e Sara Nunes Fernandes, Sopro–Projecto de Arte Contemporânea, Lisboa, 2010
Installation views, Sopro Projecto de Arte Contemporânea, Lisbon, PT, 2010
Este objecto é uma re-significação da
performance Produção de um filme no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), 2010, para o contexto de uma galeria comercial em Lisboa.
Por outras palavras, é a tradução de uma situação que aconteceu no exterior do Museu Brasileiro da Escultura*, em São Paulo (BR), para um espaço de exibição em Lisboa (PT).
Para aquela performance, amigos e visitantes do museu tinham sido convidados a relatar a história das suas origens, a partir do mais antigo ao mais recente. Cada pessoa foi filmada através de um plano de retrato estático, enquanto cada
declaração de voz foi gravada em separado. Simultaneamente, a situação foi documentada fotograficamente.
Vídeo e som capturados durante a perfomance não foram utilizados no processo da sua
re-significação.
Em vez disso, foi construída uma réplica do
expositor projectado pela arquitecta modernista italiana Lina Bo Bardi** no final dos anos 50.
Estes expositores terão sido originalmente
projectados pela arquitecta enquanto única forma de suporte expositivo para pinturas e desenhos –e outras peças bidimensionais–nos espaços abertos, de vão livre, do MASP (Museu de Arte de São Paulo). Hoje em dia, contudo, estas estruturas foram redimidas do seu papel inicial e ocupam
funções de divisão de espaço mais básicas,
dentro do museu–enquanto painéis de informação para funcionários ou arrumação de filas na
cantina, por exemplo. Por outro lado, o museu deixou de ter uma estrutura de plano aberto, para
passar a ser organizado numa estrutura de
corredores e paredes falsas.
A proposta inicial de Lina Bo Bardi pretendia uma interacção com a estrutura facturada da própria colecção do MASP: uma colecção sem uma linha condutora que guiasse relação entre as obras.
Esta réplica foi construída de memória, durante a
instalação da exposição em Lisboa (a uma
distância razoável das versões originais existentes em São Paulo).
Haverá sempre uma tradução patente em qualquer peça, e transportá-la além-mar, é, de novo, enfrentar outra etapa nesse processo***.
* MUBE foi projectado por Paulo Mendes da Rocha, o mesmo arquiteto responsável pela concepção da praça do Patriarca.
** Lina Bo Bardi, (Roma, 1914 — São Paulo, 1992) foi uma arquitecta modernista ítalo-brasileira. Chegou ao Brasil em 1946 e naturalizou-se
Brasileira em 1951).
*** Até há poucos anos, na maioria dos cursos de arte, aqui no Brasil, o ensino acontecia a partir de livros fotocopiados de originais provenientes da Europa. A internet é também muito recente. Isto significa que, na sua maioria, os estudantes de arte terminavam os estudos com versões
desbotadas, e a preto-e-branco, das peças de Magritte, Van Gogh, Picasso, ou Dali, como
referência. Era isso que usavam como filtro
enquanto aprendiam a desenvolver as suas
práticas de trabalho individuais.
This object is a re-signification of the performance ‘Production of a film at the Brazilian Museum of Sculpture (MuBE)’ into a commercial gallery
setting in Lisbon.
In other words, it is the translation of a situation that happened outside the Brazilian Museum of
Sculpture*, in São Paulo (BR), into an exhibition room in Lisbon (PT).
For that performance, friends and visitors to the museum were invited to relate the story of their origins, from the most ancient to the most recent. Each person was filmed with a static portrait shot, while each statement was voice recorded
separately. At the same time, the situation was
documented via photographs.
Neither video nor sound collected from event have been used to display the event in the
exhibition context in Lisbon.
Instead, a replica of a display stand designed by Lina Bo Bardi** in the late 50s was built from
memory during the installation of the show in
Lisbon (at a fair distance from original version in
São Paulo). This display stand had been designed by Bo Bardi to be the only structure to divide the spaces inbetween the works in the collection of another museum – the museum of art of São Paulo. It was a messy collection then, of strayed
acquisitions that did not follow a specific agenda nor timeline.
An event can be represented in many given ways. Once a given situation has existed in its own
accumulation of presents, any attempt of a
representation of it will always only be a snapshot taken from the side, from a tourist’s point of view. Moreover, if there is always an element of
translation involved in the process of making any work, to transport it overseas is to face yet another inevitable translation.***
* Museum and surrounding area also designed by Paulo Mendes da Rocha, architect also
responsible for praça do Patriarca.
** Brazilian modernist architect.
*** Until a couple of years ago, most art schools in Brazil would not have the original versions of prints books imported from Europe, but black and white photocopy versions instead. Internet is quite recent there too, and so most art students have departed into individual practices of their own with black and white sketchy versions of Magritte, Van Gogh, Picasso or Dali, as a reference. That’s what they were using to filter some of their references with.
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